Sem vontade de tanta gente, nos mais chegados um abrigo... No resto do mundo... É melhor manter-se distinto. Quem sou eu para julgar? Respeito suas diferenças, só vos peço para que não tentes aproximar-se. Não traga sua vã consciência de um mundo torto ao meu encontro, não traga imbecilidade existente há séculos para meu convívio. Há muito já se sabia que as tolices e os despautérios preencheriam o mundo. Afinal de contas os racionais se enclausuram, evitam os fúteis, então estes preenchem o espaço com suas limitações e suas canalhices.
Sem vontade de respirar o ar pesado das noites dividas, onde as conversas são vagas e tolas. Onde os homens se sujeitam ao frenesi alcoólico da busca por uma fêmea no cio. Estas fêmeas, que tanto coloquei a mão no fogo, que tanto respeitei sua vontade e desejo de igualdade fazem dos seus direitos o dever de se expor. Uma necessidade de vulgaridade domesticada, que seja comum aos olhos dos homens. Respeito se perde assim.
Sem vontade de trocar palavras com mentes fantasiosas que enxergam a vida como um jogo, uma passagem aleatória que se apaga sem razão. Desculpe, mas para mim ela tem uma razão de ser, não digo que devemos todos ser mártires, mas devemos ao menos aprender a viver em sociedade. Um ser social sabe quando acaba seu direito, sabe quando começa o espaço alheio, sabe que somamos mais do que podemos compreender. Mas devemos nos esforçar a entendê-lo.
Sem vontade de erguer os braços e adorar o infinito, já que tenho um infinito de perguntas dentro de mim.
Sem vontade de pesar as consequências se sei que as terei.
Sem vontade de levantar-me e ver o mundo com bons olhos, mas em meu canto faço dele o meu melhor.
Sem vontade de largar de mão os amigos que fiz ao longo destes anos, pois a afinidade e a identidade que possuímos fora construída desde jovens.
Sem vontade de me calar para um mundo tão superficial, mesmo sabendo que muitos não escutarão, rechaçarão com certeza minhas reivindicações. Rirão dos meus preceitos. Mas jamais os negarei novamente.
Sem vontade de ensinar, sem vontade de reclamar, sem vontade de continuar essa reclamação...